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TER UM MUSEU NA ESCOLA? É MAIS FÁCIL DO QUE PARECE!

Por Ana Lúcia Ramos Auricchio

 

Sabemos que os museus e suas exposições são espaços privilegiados e importantes para a compreensão das sociedades, culturas, evolução da vida e tantos outros aspectos da natureza e das ações humanas.

Sabemos também que essas instituições nem sempre são valorizadas e que as escolas cumprem um papel no estreitamento e educação dos indivíduos para que percebam nesses espaços sua importância complementar à boa aprendizagem.

No entanto, museus e experiências museais nem sempre são acessíveis em todos os territórios e invariavelmente ficam centralizados nos grandes centros urbanos. Porém, não é difícil encontrar adultos que se quer já frequentaram museus, mesmo que em sua cidade tenha espaços organizados com esse objetivo.

Assim, escolas que tomam a iniciativa de organizar acervos com essa função, acabam por contribuir para dois aspectos: preparar seus estudantes para uma vivência em museus já instituídos e com isso contribuindo para a sua valorização, e utilizar o acervo organizado dando a ele um tratamento pedagógico e de apoio às aulas dos seus docentes.

Para GREGOROVÁ (1980: 36):

 “O caráter interdisciplinar da Museologia relativo à pedagogia e à didática, deve-se ao fato de que nos museus os objetos são materiais apresentados e expostos. Ainda que hoje em dia a escola, com métodos atuais de ensino e de educação, exija recursos e práticas concretas, é, sobretudo nos museus que esta função educativa é aplicada de maneira mais eficaz pela apresentação de documentos autênticos e originais de uma forma tão imediata”

 

Planejamento um espaço museológico em sua escola

Escolas que têm um espaço próprio para organizar e expor coleções, são privilegiadas. O que se vê em muitos casos, principalmente para os acervos com foco em história natural, é a sua disposição em laboratórios de Ciências da Natureza ou em salas-ambiente. Essa escolha, apesar de limitante, se bem planejada poderá ter bons resultados. No entanto, Independentemente do local, os cuidados e tratamento às peças são os mesmos, seja na conservação, seja na curadoria da coleção, que representa um conjunto de ações que visam catalogar as peças, identificá-las e estabelecer a melhor forma de expô-las.

A princípio, essas ações podem parecer excessivamente técnicas, mas com supervisão de um docente, podem se tornar uma boa oportunidade para envolver os estudantes nessa função, permitindo que conheçam mesmo que superficialmente uma atividade profissional de extrema importâncias nas instituições museológicas.

Uma vez estabelecido o espaço onde o acervo será exposto, outra etapa do planejamento é identificar de que forma o acervo deverá dialogar com o seu público. Essa questão nos direciona a pensar sobre as diferentes categorias de exposição que um museu pode adotar, desde a mais contemplativa àquela que permite interação e manuseio das peças.

David Carr, educador em museus americanos, afirma que:

“… todo museu é um local de aprendizado. Nele o aprendizado acontece não por acidente, mas por um autêntico encontro com a ordem e com significado, com padrões e explicações, confirmados pela proximidade das coisas e pela clareza de linguagem”. (CARR, 1989: 54).

 

Que história você quer contar para seus estudantes?

A história da Terra Brasilis Didáticos tem  uma relação intrínseca entre escola e museu e sempre quis aproximar esses dois espaços, seja produzindo réplicas de peças únicas tombadas em museus pelo mundo e tornando-as acessíveis aos professores e escolas, seja pelo incentivo para que escolas encontrem nos espaços museais, uma materialidade para aulas de Ciências da Natureza.

Assim organizou um acervo em Paleontologia, que permite transitar pelas Eras Geológicas seguindo uma linha de tempo, que poderá ser explorada de diferentes  formas, por diferentes disciplinas e com níveis de abordagem que vão desde o ensino fundamental I ao Ensino Médio, numa estreita relação com as competências e habilidades previstas na Base Nacional Comum Curricular.

Por isso organizou o seu acervo em módulos para que as escolas e professores possam adquirir o material em etapas e possam contar a história evolutiva desde a Era Paleozoica, passando pela Mesozoica até a Era Cenozoica.

 

 

 

 

Amplie a imagem acessando o link: Museu na escola – História Evolutiva 

 

CARR, D. 1989. Live up to learners. Mus. News, 68 (3): 54-55. May/Jun

GREGOROVÁ, A. 1980. Museologic working papers. In: Muwop. L’interdisciplinarité en museologie. Estocolmo: (2) p. 34-37.

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